
JAQ H1: AHS Energia abastece o maior barco a hidrogênio do Brasil na Marina de Itajaí
Itajaí, litoral de Santa Catarina. Encostada na doca da Marina Itajaí, ao lado de um dos maiores iates do porto, uma carreta verde chama atenção pelo tamanho e pelas letras em destaque: H2. É a unidade móvel de abastecimento de hidrogênio da AHS Energia, e ela está ali para uma operação inédita no Brasil: reabastecer o JAQ H1, a primeira embarcação a hidrogênio do país e a segunda maior do mundo dentro do portfólio da GWM Hydrogen-FTXT.

A operação marca a fase de comissionamento do barco, o momento em que os tanques de hidrogênio são abastecidos e as células a combustível ativadas pela primeira vez, e reúne cerca de 20 profissionais entre engenheiros brasileiros e chineses. É também a expertise da AHS Energia em ação: a empresa foi responsável pelo sistema de abastecimento que está, neste momento, alimentando toda a embarcação com hidrogênio.
Um barco de 36 metros movido a hidrogênio
O JAQ H1 é o resultado de uma parceria entre o Grupo Náutica, sob a presidência de Ernani Paciornik, e a GWM Hydrogen-FTXT, com investimento estimado em R$ 150 milhões (valor que já contempla a construção de uma segunda embarcação do projeto). A ficha técnica ajuda a entender por que essa entrega é considerada um marco:
| Item | Dado |
|---|---|
| Comprimento | 36 metros |
| Projeto | JAQ Hidrogênio Verde |
| Idealizado por | Grupo Náutica (presidente Ernani Paciornik), em parceria com GWM Hydrogen-FTXT |
| Investimento | Estimado em R$ 150 milhões (inclui construção de uma segunda embarcação) |
| Tecnologia de propulsão | Motores híbridos dual-fuel da alemã MAN, operando com hidrogênio verde + diesel |
| Redução de emissões | Até 80% de CO₂ |
| Hotelaria (ar-condicionado, luzes, TVs, micro-ondas etc.) | 100% alimentada a hidrogênio via células a combustível |
| Auditório a bordo | Capacidade para 40 pessoas |
| Estreia | COP30, em Belém (fim de 2025) |
| Próxima embarcação do projeto | JAQ H2, 50 metros, entrega prevista para 2027 |
O projeto avançou em duas fases distintas. Primeiro veio a apresentação pública, na COP30 e no Marina Itajaí Boat Show. Depois, a etapa mais técnica e menos visível: o armazenamento de hidrogênio a bordo e a ativação das células a combustível fornecidas pela GWM Hydrogen-FTXT, um processo que, somado aos testes de segurança, chega a levar até 15 dias.

A unidade móvel de abastecimento da AHS Energia
Para viabilizar o abastecimento diretamente na doca, a AHS Energia operou uma unidade móvel de abastecimento de hidrogênio, uma carreta estacionada ao lado do JAQ H1 durante toda a operação. A estrutura embarcada no reboque reúne um módulo com cilindros de armazenamento de hidrogênio, sistema elétrico e eletrônico de controle, escada de acesso amarela para operação segura e uma plataforma reforçada, projetada para o manuseio de gás sob as condições de segurança que a atividade exige.

Como o hidrogênio vira energia a bordo
O coração do sistema são as células a combustível: diferente de um motor de combustão, elas não queimam o hidrogênio, mas o convertem em energia elétrica por meio de uma reação eletroquímica com oxigênio, tendo como único subproduto vapor d'água. Essa energia elétrica carrega as baterias do barco, que por sua vez alimentam 100% da hotelaria: ar-condicionado, iluminação, TVs, micro-ondas e o auditório para 40 pessoas.
Já a propulsão segue uma lógica híbrida dual-fuel: os motores MAN funcionam com uma combinação de hidrogênio verde e HVO (diesel renovável produzido a partir de óleos vegetais), podendo chegar a até 70% de consumo de hidrogênio contra 30% de diesel renovável, o que ajuda a explicar a redução de até 80% nas emissões de CO₂ do projeto.
1 / 7O que vem depois do JAQ H1
Com a estreia na COP30 e o comissionamento em andamento na Marina de Itajaí, o JAQ H1 se torna uma vitrine concreta do que a mobilidade a hidrogênio já é capaz de entregar no Brasil, não como conceito, mas como embarcação em operação. O próximo passo do projeto já está definido: o JAQ H2, com 50 metros, entrega prevista para 2027. Para a AHS Energia, cada operação como essa reforça o mesmo ponto: o hidrogênio verde deixou de ser promessa de longo prazo para se tornar infraestrutura real, entregue doca a doca.
Glossário técnico
- Célula a combustível (fuel cell): dispositivo que converte hidrogênio em energia elétrica através de reação eletroquímica com oxigênio, gerando como subproduto apenas vapor d'água, diferente de um motor de combustão.
- Hidrogênio verde: hidrogênio produzido por eletrólise da água usando energia renovável, sem emissão de carbono no processo produtivo.
- Sistema dual-fuel / híbrido: motor que opera com combinação de dois combustíveis: no caso do JAQ H1, hidrogênio verde + diesel renovável (HVO).
- HVO (Hydrotreated Vegetable Oil): diesel renovável produzido a partir de óleos vegetais, usado como substituto ao diesel fóssil.
- FCEV (Fuel Cell Electric Vehicle): veículo elétrico cuja energia primária vem de célula a combustível a hidrogênio.
Fontes: ND Mais (comissionamento e abastecimento do JAQ H1 na Marina Itajaí); GWM Motors (media center) e Eletrolar News (detalhes técnicos do JAQ H1); Petronotícias, Agita Brasil e Jornal de Brasília (cobertura do Marina Itajaí Boat Show 2026).
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