Equipe da AHS Energia, com o CEO Denilson de Souza, em frente ao backdrop oficial da Hyvolution Brasil 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo
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AHS Energia na Hyvolution Brasil 2026!

18 de agosto de 2026Rodrigo Meurer7 min de leitura

Existe um momento em que uma tecnologia para de ser discutida em painéis e passa a ser negociada em mesas. O mercado brasileiro de hidrogênio atravessou essa fronteira em 2026, e a primeira edição da Hyvolution Brasil foi o lugar onde isso ficou visível. A AHS Energia esteve lá como expositora, apresentando suas rotas de produção e suas aplicações industriais para um público que já não pergunta "se", mas "quando" e "a que custo".

Visitantes observam apresentação de tecnologia da AHS Energia em laptop no estande
Visitantes observam apresentação de tecnologia da AHS Energia em laptop no estande

O que é a Hyvolution e por que a estreia no Brasil importa

A Hyvolution nasceu na França e se consolidou como um dos principais fóruns europeus de transição energética, com oito edições realizadas em Paris antes de iniciar sua expansão internacional. Organizada pela GL events, a feira chegou ao Chile em setembro de 2025, ao Canadá em outubro do mesmo ano e desembarcou no Brasil em junho de 2026, com uma edição na Índia também no radar dos organizadores.

A escolha de São Paulo para a estreia brasileira não foi acidental. Segundo os organizadores, a definição do Centro de Convenções do Distrito Anhembi levou em conta a concentração de empresas estratégicas, a infraestrutura de negócios e a relevância econômica da capital paulista, que abriga sedes de grandes grupos de energia do país.

Os números da primeira edição confirmaram a aposta. O evento reuniu cerca de 4 mil participantes, mais de 100 marcas expositoras e delegações de mais de 20 países. O HySummit, congresso técnico paralelo à feira, levou ao palco 72 especialistas de 13 países ao longo de dois dias de programação. Para uma primeira edição em um mercado ainda em formação, é um indicador claro de que a cadeia produtiva do hidrogênio no Brasil já tem massa crítica suficiente para sustentar um evento internacional próprio.

Na avaliação da GL events Exhibitions, a leitura foi direta: a transição energética saiu da pauta do futuro e virou tema do presente. Quem circulou pelos corredores percebeu a mudança de registro. Menos discussão conceitual sobre o potencial do hidrogênio, mais conversas sobre contratos de offtake, custo de energia, certificação de emissões e cronograma de decisão de investimento.

Denilson de Souza, CEO da AHS Energia, explicando como a AHS Energia está posicionada no mercado.
Denilson de Souza, CEO da AHS Energia, explicando como a AHS Energia está posicionada no mercado.

A Hyvolution Brasil 2026 aconteceu em uma janela regulatória decisiva, e isso definiu o tom do evento. Durante a feira, Carlos Colombo, secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, anunciou a edição do decreto que regulamenta a Lei 14.948/2024, o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono, e sinalizou os leilões do PHBC, o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, com R$ 18,3 bilhões em crédito fiscal previstos para o período de 2030 a 2034.

O anúncio virou fato em 12 de agosto de 2026, com a publicação do Decreto nº 13.096 no Diário Oficial da União. O texto detalha dois instrumentos centrais para o setor:

  • Rehidro: regime especial que suspende PIS/Pasep e Cofins sobre máquinas e materiais destinados a projetos habilitados, com conversão em alíquota zero após a verificação do projeto. Exige conteúdo local mínimo de 15% para eletrólise e 40% para as demais tecnologias, além de 1% de investimento em desenvolvimento sustentável e 1% em pesquisa e desenvolvimento.
  • PHBC: concede créditos fiscais entre 2030 e 2034 e prioriza o hidrogênio para autoconsumo industrial nos setores de fertilizantes, siderurgia, cimento, química, petroquímica e transporte pesado, com os créditos atrelados à produção efetiva e à certificação obrigatória de emissões.

O decreto também institui o Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio, com governança compartilhada entre quatro instituições, trata da exploração de hidrogênio natural por meio de concessões da ANP e estabelece que as emissões sejam medidas em kgCO₂eq por kg de hidrogênio, com base em análise de ciclo de vida. Esse último ponto é mais relevante do que parece: ao adotar a métrica de ciclo de vida, o Brasil abre espaço competitivo para rotas de baixíssima pegada de carbono, incluindo aquelas que chegam a resultado líquido negativo.

Do lado dos projetos, o setor entrou em 2026 com sete iniciativas de escala industrial somando cerca de R$ 63 bilhões e 6,15 GW de capacidade de eletrólise mirando decisão final de investimento no ano, segundo levantamento do portal eixos. Os produtos iniciais se concentram em amônia verde, metanol verde e fertilizantes nitrogenados.

Mas o clima não foi de otimismo automático. Fernanda Delgado, presidente da ABIHV, usou o palco da Hyvolution para alertar que sinais como a demora regulatória e a imprevisibilidade do custo de energia começam a corroer as vantagens comparativas que o Brasil construiu. O recado do evento, portanto, foi duplo: a oportunidade é real, e a janela não é infinita.

A AHS Energia na feira: expertise nacional em um palco internacional

Leonardo Flor, Diretor de Energia e Descarbonização, apresentando sobre o caminhão movido a hidrogênio.
Leonardo Flor, Diretor de Energia e Descarbonização, apresentando sobre o caminhão movido a hidrogênio.

Para a AHS Energia, vertical de energia do Grupo AHS criada em 2018 e sediada em Araquari, em Santa Catarina, a Hyvolution funcionou como uma vitrine de posicionamento nacional. A empresa levou ao estande o conjunto de rotas tecnológicas que desenvolve para transformar passivos ambientais em produtos de alto valor, um princípio que atravessa todo o ecossistema de economia circular do grupo, fundado em 1994 e formado hoje por cinco empresas.

O interesse do público internacional foi um termômetro relevante. Delegações estrangeiras pararam no estande para entender como uma empresa do Sul do Brasil combina resíduos florestais, potencial eólico e captura de carbono em um portfólio integrado de descarbonização industrial.

Registros fotográficos da AHS Energia na Hyvolution 2026.1 / 7
Registros fotográficos da AHS Energia na Hyvolution 2026.

Das rotas às aplicações: onde esse hidrogênio efetivamente entra

Rota de produção sem aplicação é laboratório. O que sustenta um projeto é a demanda do outro lado, e é aí que o portfólio da AHS Energia conversa diretamente com as prioridades definidas pelo PHBC.

Fertilizantes. O Brasil importa a maior parte dos fertilizantes nitrogenados que consome, e a rota convencional da amônia parte do gás natural. Substituir esse hidrogênio fóssil por hidrogênio limpo permite produzir amônia verde e ureia sustentável com pegada drasticamente menor, atacando ao mesmo tempo uma vulnerabilidade estratégica do agronegócio nacional.

Siderurgia. Na produção de ferro, o carvão metalúrgico atua como redutor, retirando o oxigênio do minério e liberando CO₂ no processo. O hidrogênio faz o mesmo trabalho e libera vapor d'água. A troca do redutor é uma das mudanças estruturais mais impactantes disponíveis para a indústria pesada.

Combustível marítimo. O metanol verde é um dos caminhos mais maduros para a descarbonização do transporte marítimo, setor pressionado pelo arcabouço regulatório da Organização Marítima Internacional. A AHS Energia projeta um hub de metanol verde com faturamento estimado em R$ 52 bilhões e valor de mercado de US$ 5 bilhões por ano como ativo de exportação, com um rendimento aproximado de 700 kg de metanol verde por tonelada de CO₂ processado.

Mobilidade pesada. A AHS Energia mantém parceria com a GWM para caminhões movidos a hidrogênio, com foco em retrofit de frotas a diesel, ou seja, a conversão de veículos já em operação em vez da compra de frotas novas. Os números da tecnologia ajudam a entender o encaixe: o caminhão a célula a combustível da montadora entrega 400 kW (544 cv) e 2.300 Nm, armazena 40 kg de hidrogênio em cilindros de fibra de carbono a 350 bar e ultrapassou 500 km em testes em condições reais no Brasil. A GWM projeta R$ 20 milhões de receita no país em 2026 e R$ 200 milhões em 2027, com o Brasil sendo a única operação de sua divisão de hidrogênio fora da China.

Registros fotográficos da AHS Energia na Hyvolution 2026.
Registros fotográficos da AHS Energia na Hyvolution 2026.

O que a Hyvolution 2026 deixou claro

A primeira edição brasileira da Hyvolution funcionou como uma fotografia precisa do estágio atual do setor: marco legal regulamentado, R$ 18,3 bilhões de crédito fiscal desenhados, dezenas de bilhões em projetos aguardando decisão final de investimento e uma cadeia produtiva que já se reconhece como cadeia. Falta o mais difícil, que é converter capacidade técnica em contratos de longo prazo.

Nesse cenário, expertise deixa de ser diferencial de marketing e vira critério de seleção. Projetos que dominam múltiplas rotas, entendem a métrica de ciclo de vida e conseguem conectar produção a aplicações industriais concretas são os que atravessam a fase de decisão. A AHS Energia foi à Hyvolution para mostrar exatamente isso, e voltou de São Paulo com a leitura de que o mercado brasileiro entrou na sua fase de execução.

Para conhecer as rotas de hidrogênio de baixo carbono e as soluções de descarbonização industrial da AHS Energia, fale com nosso time em vendas@ahsenergia.com.br ou pelo telefone (47) 3384-3211.

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